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Haplocromídeos não-endêmicos

Dois ciclídeos haplocromídeos não-endêmicos são relatados no lago Malawi, mas outros são encontrados nos rios tributários e nos lagos próximos Chilwa e Chiuta. Os haplocromídeos não-endêmicos são de particular interesse no estudo da ancestralidade dos endêmicos.

Serranochromis robustus, conhecido como "Sungwa" no Malawi, é um haplocromídeo predador grande, com a aparência geral de uma garoupa. Ele vive em águas rasas e espécimes grandes são frequentemente vistos patrulhando costas rochosas ou se escondendo em cavernas. Juvenis são mais comuns em áreas com plantas. A espécie também vive em rios, piscinas e lagos na área de captura, preferindo áreas com pouca correnteza. Outra sub-espécie, S. r. jallae é encontrada no sistema do Alto Zambezi e no Okavango (Skelton 1993). As duas sub-espécies são muito similares. Análise molecular indica que Serranochromis não é relacionado aos haplocromídeos endêmicos do lago Malawi, e esta espécie não parece ter sofrido especiação na área do lago Malawi.

Astatotilapia calliptera tem sido citado há muito tempo como o grupo irmão mais plausível dos haplocromídeos endêmicos do lago Malawi (Eccles & Trewavas 1989), embora isto não é claramente indicado por análises moleculares publicadas (Shaw et al. 2000; Seehausen et al. 2003). É um pequeno haplocromídeo colorido com a morfologia característica de uma espécie de rios. Como outros haplocromídeos riverinos, os machos crescem muito mais que as fêmeas. Também, como outros haplocromídeos riverinos, as cores nupciais do macho são uma mistura complexa de tons de azul, verde, amarelo, laranja e vermelho, manchas nos flancos, manchas nas nadadeiras, queixo escuro e barras nos olhos. As cores nupciais dos machos mudam rapidamente com o humor. A espécie é encontrada em habitats com abrigos de plantas através do lago Malawi, onde é frequentemente bem abundante. É também comum em habitats riverinos na área do lago, onde prefere lugares parados, como lagos com vegetação, lagoas e águas represadas. Astatotilapia calliptera também é conhecido do lago Chilwa, lago Chiuta, do sistema do rio Rovuma, do rio Ruo no sul do Malawi, e corrente abaixo a partir da vazão do lago Malawi no rio Shire, lago Malombe e no sistema baixo do Zambezi. Também ocorre em alguns dos rios em Moçambique que desaguam no Oceano Índico, como o Pungwe, Buzi e o Baixo Save (Skelton 1993). Há aparentemente pouca variação geográfica nas cores nupciais do macho, exceto que os machos da população em Chizumulu Island são de um cinza azulado apagado (Konings 2001).

Astatotilapia tweddlei é uma espécie pouco conhecida dos lagos Chilwa e Chiuta. Como P. philander, ela também possui uma cauda arredondada, mas A. tweddlei tem mandíbulas maiores e os machos tem eggspots reais. Se acredita ser relacionado a A. paludinosa da região de Malagarasi e do lago Rukwa (Jackson 1985) e talvez também a A. bloyeti dos rios da costa oriental da Tanzânia. Em fevereiro de 2005, Martin Genner coletou um número de espécies da parte norte do lago Chilwa. Machos com coloração de reprodução foram fotografados pela primeira vez, pelo meu conhecimento. Eles são de um amarelo amarronzado escuro, com eggspots bem pequenos e imperceptíveis. Eles eram abundantes numa área de extensivos campos de capim e mato (N.T.: reedbeds).

Pseudocrenilabrus philander nunca foi visto no lago Malawi, mas certamente ocorre nos rios e pequenos lagos da região, incluindo várias localidades na área do lago Malawi, e certamente pode ter acesso ao lago. Foi encontrado perto de Nkhotakota, tanto em rios quanto no pequeno lago Chilingali. Foi também visto na região de Mzuzu, provavelmente no sistema Rukuru Sul. É abundante na região sul da África e é sabido existir no lago Chilwa. Esta pequena espécie pode ser confundida com o similar na aparência Astatotilapia calliptera com o qual é frequentemente encontrado. Pseudocrenilabrus tem cauda arredondada, enquanto Astatotilapia tem cauda truncada (ou seja, há uma linha reta de guia no meio). Machos Astatotilapia tem uma fila de eggspots arredondados amarelados circundados por uma margem translúcida fina. Estes estão localizados bem acima da margem da nadadeira mais baixa. Machos Pseudocrenilabrus podem ter um ou mais pontos vermelhos na ponta ou margem da nadadeira anal. Estes estão localizados na margem da nadadeira, e normalmente tem um contorno reto. Não há anel transparente em torno deles. Análise filogenética molecular com DNA mitocondrial indica que Pseudocrenilabrus não é diretamente ligado a Astatotilapia e os haplocromídeos endêmicos do Malawi (Salzburger et al. 2002). Então, como Serranochromis, parece que Pseudocrenilabrus não sofreu especiação dentro do lago Malawi. Realmente, embora Pseudocrenilabrus sejam encontrados por toda a África, incluindo as bacias do lago Tanganyika e Lago Victoria, não apenas não há indicação de que eles possam ter contribuído para qualquer adaptação radiativa num lago, mas não há indicação de que duas espécies do gênero são de alguma forma encontradas no mesmo local e é possível que haja apenas uma espécie biológica no continente inteiro.

Referências

Este artigo pode ser citado como

Turner, G.F. (2005) Lake Malawi non-endemic Haplochromines. http://www.hull.ac.uk/cichlids/Fish_Non-Endemic Haplo.htm

Eccles, D.H. & Trewavas, E. 1989. Malawian Cichlid Fishes. The Classification of Some Haplochromine Genera. Lake Fish Movies, Herten.

Jackson, P.B.N. 1985. Astatotilapia tweddlei, a new species of fluviatile haplochromine cichlid fish from Lakes Chilwa and Chiuta, Malawi, with zoogeographical notes. J.L.B.Smith Institute of Ichthyology, Special Publication 38, pp. 1-9.

Konings, A. 2001. Lake Malawi Cichlids in their Natural Habitat. Cichlids Press, El Paso.

Moran, P., I. Kornfield, and P. Reinthal. 1994. Molecular systematics and radiation of the haplochromine cichlids (Teleostei: Perciformes) of Lake Malawi. Copeia 1994: 274-288.

Salzburger, W., A. Meyer, S. Baric, E. Verheyen, and C. Sturmbauer. 2002. Phylogeny of the Lake Tanganyika cichlid species flock and its relationship to the central and East African haplochromine cichlid fish faunas. Systematic Biology 51, 113-135.

Seehausen, O. et al. 2003. Nuclear markers reveal unexpected genetic variation and a Congolese/Nilotic origin of the Lake Victoria cichlid species flock. Proceedings of the Royal Society London B, 270, 129-137.

Shaw, P.W., G.F. Turner, M.R. Idid, R.L. Robinson, and G.R. Carvalho. 2000. Genetic population structure indicates sympatric speciation of Lake Malawi pelagic cichlids. Proceedings of the Royal Society London B, 267, 2273-2280.

Skelton, P.H. 1993. A complete guide to the freshwater fishes of southern Africa. Southern Book Publishers, Halfway House, South Africa; xiv + 388 pages

G.F.Turner, original page 2004, updated February 2005.

Tradução: Ciclídeos Online