O que são Ciclídeos?
A família Cichlidae (Bonaparte, 1840), é um dos maiores grupos de peixes teleósteos, compreendendo mais de 1600 espécies. Quase todas vivem sua vida inteira em água doce. Apenas poucas espécies frequentam águas salobras.
A família foi primeiro reconhecida pelo príncipe Bonaparte em 1840 (p. 191), como uma sub-família dos Chromididae (hoje conhecida como Pomacentridae) e com a grafia Cychlini.
A família Cichlidae é uma das poucas famílias de peixes tropicais cuja monofilia é virtualmente incontestada — veja Stiassny (1981, 1987, 1991), Zihler (1982), Kaufmann & Liem (1982), Gaemers (1984), Stiassny & Jensen (1987), Casciotta & Arratia (1993), Kullander (1998) e Sparks & Smith (2004) sobre a filogenia da família.
Externamente, os ciclídeos podem ser identificados por um conjunto de caracteres incluindo narina única, linha lateral normalmente dividida, 16 (excepcionalmente 14) raios principais da nadadeira caudal, e os espinhos (pontas) nas nadadeiras dorsal, anal e pélvica. O tamanho vai de cerca de 30mm até pelo menos 600mm entre as espécies sul-americanas. As especializações de habitat e alimentação ainda são largamente não investigadas, embora pareça que o espectro é considerável. Há exemplos de formas reofílicas a extremamente lênticas; e especialistas herbívoros, planctívoros, moluscívoros e piscívoros tenham sido distinguidos, embora a maioria dos ciclídeos sul-americanos possam ser carnívoros oportunistas. Ciclídeos têm um comportamento variado e são objetos de estudo estabelecidos pelos etologistas.
O comportamento reprodutivo inclui incubação bucal, da qual várias estratégias foram observadas, embora a maioria dos ciclídeos americanos são reprodutores de substrato. Todos os ciclídeos praticam alguma forma de cuidado parental.
A América do Sul tem pelo menos 450 espécies de ciclídeos das quais 311 descritas até esta data. Isto significa 8% da fauna de água doce sul-americana (estimativas sugerem em torno de 5.000 espécies). Ciclídeos são um componente da fauna mais importante na África e América Central, mas são além disso o maior grupo não-otofisanos (non-otophysan) da América do Sul e uma das quatro maiores famílias, tendo os Characidae, Pimelodidae e Loricariidae mais ou aproximadamente o mesmo número de espécies.
Economicamente, apenas as espécies Cichla são importantes em estatísticas pesqueiras. Um número muito maior de espécies menores são consumidas regularmente, entretanto. Astronotus é ocasionalmente mantido em culturas em lagos no Brasil, e Caquetaia umbrifera é comum em lagos colombianos. Caquetaia kraussii é outro peixe popular de cultura em lagos e esperado que cause dano considerável na fauna nativa de peixes já que se espalha através da bacia do Orinoco na qual foi introduzido apenas nos anos 70. Os ciclídeos dominantes na aquacultura sul-americana, contudo, permanecem sendo as tilápias, principalmente Tilapia rendalli e Oreochromis niloticus. A carne dos ciclídeos sul-americanos é firme e geralmente apreciada por causa da falta de ossos intramusculares.
A última revisão completa dos ciclídeos sul-americanos foi publicada cerca de 90 anos atrás (Regan 1905-1913). Desde então, nenhuma tentativa foi feita para uma revisão integral, embora o número de espécies nominais e gêneros tenha aumentado consideravelmente. Kullander (1986) deu uma estimativa de 275 espécies em 40 grupos taxa de gêneros; e a primeira estimativa é certamente baixa. Kullander & Nijssen (1989) consideraram 239 espécies nominais e 36 gêneros nominais como válidos, incluindo as 6 novas espécies e 3 novos gêneros que eles descreveram. Minha estimativa atual é de que existem cerca de 450 espécies, das quais mais de 100 espécies não foram descritas. Kullander (2003) deu uma estimativa total de 571 espécies para a América do Sul e Central combinadas.
Sven O. Kullander - Departamento de Zoologia de Vertebrados do Museu Sueco de História Natural
Tradução: Ciclídeos Online (tradução autorizada pessoalmente pelo Dr. Kullander, nossos agradecimentos!)
Referências
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