O aquário de Ciclídeos Africanos
Orientações para a montagem de um aquário de ciclídeos africanos
Introdução
Os Ciclídeos Africanos, principalmente aqueles dos lagos do Vale do Rift, são originários de uma região com características especiais, portanto um aquário que deverá abrigar estas espécies terá uma série de particularidades muitas vezes bastante diferentes dos aquários comunitários, diferenças estas que devem ser observadas pelos aquaristas, para o sucesso de suas montagens. Tentaremos neste artigo descrever todos os fatores que devem ser observados numa montagem de um aquário de ciclídeos africanos: química da água, substrato, iluminação, temperatura, tamanho do aquário, etc.
Uma observação se faz importante: alguns ciclídeos também chamados de "africanos" não são originários dos grandes lagos, mas dos rios africanos, e algumas das instruções contidas aqui não fazem muito sentido em relação a estas espécies em particular. Um exemplo é o kribensis (Pelvicachromis pulcher), que é um ciclídeo africano, mas riverino. Para começar, faremos uma descrição sobre os lagos e sua geografia:
Os lagos do Vale do Rift
Os Grandes Lagos Africanos são um conjunto de lagos de origem tectônica localizados na África Oriental, e incluem alguns dos lagos mais profundos do mundo. Os ciclídeos chamados africanos são em sua maioria originários dos chamados Grandes Lagos do Vale do Rift, que são (de sul para norte): Lago Malawi (também conhecido como lago Niassa, partilhado por Moçambique, Malawi e Tanzânia), Lago Tanganyika (que faz a fronteira entre a República Democrática do Congo, Tanzânia e Burundi), Lago Kivu (que separa Ruanda e República Democrática do Congo), Lago Edward e lago Albert (separam Uganda da República Democrática do Congo), Lago Victoria (o maior de todos, partilhado pelo Quênia, Uganda e Tanzânia) e o lago Turkana (único lago no ramo oriental do vale do Rift).
Os lagos Victoria, Albert e Edward desaguam no Nilo Branco, uma das nascentes do rio Nilo. O lago Tanganyika e o lago Kivu desaguam no rio Congo e o lago Malawi desagua no rio Zambeze.
Os principais lagos para os aquaristas entusiastas de ciclídeos africanos são o Malawi, Tanganyika e Victoria, e é deles que você ouvirá falar com mais regularidade.
O que é o Vale do Rift?
O Vale do Rift é um complexo de falhas tectônicas que foi criado há 35 milhões de anos, quando as placas tectônicas africana e arábica se separaram. Vai desde o norte da Síria até a região central de Moçambique, por cerca de 5000 km. Sua largura varia de 30 a 100 km. A falha abrange a Etiópia, Quênia, Tanzânia, Uganda, Ruanda, Burundi, República Democrática do Congo, Malawi e Moçambique.
Ao se aproximar da região do Mar Vermelho, o rift se bifurca e um destes ramos segue para sudoeste, indo formar o Vale do Rift Oriental, que abrange a Etiópia, Quênia, Tanzânia, o Lago Malawi (também chamado de lago Niassa) e o rio Chire, e termina no rio Zambeze.
Na Tanzânia, ao norte do lago Malawi, o vale se divide novamente. Um dos ramos segue para noroeste e depois para o norte, e forma o lago Tanganyika, que faz fronteira entre a República Democrática do Congo, a Tanzânia e o Burundi. A seguir vem o lago Kivu, que separa a Ruanda do Congo, os lagos Edward e Albert, com uma das nascentes do maior rio africano, o Nilo, que o separam de Uganda e que agora é chamado de Rift Ocidental ou Albertino, que é onde se encontram os Grandes Lagos Africanos, já mencionados. O lago Victoria se localiza entre os dois ramos do vale do Rift.
O lago Malawi
O lago Malawi (ou em kiSwahili "Nyassa") está localizado entre o Malawi, a Tanzânia e Moçambique. Tem 560 km de comprimento, 80 km de largura máxima e uma profundidade máxima de 700m.
Na língua falada na orla moçambicana do lago, "niassa" significa "lago", e o nome do povo que usa esta língua, os Nyanjas, significa "povo do lago". Numa das línguas do Malawi (país), a palavra "malawi" significa "nascer do sol", já que por estar a ocidente do lago, é assim que os malawianos vêem nascer o dia, por sobre o lago.
É único no mundo por formar uma província biogeográfica específica com 400 espécies de ciclídeos descritas como endêmicas (30% de todos os ciclídeos conhecidos) e várias ainda não descritas. A idade estimada do lago é de cerca de 1 a 2 milhões de anos.
Por estar numa região tropical e ser muito profundo, o lago está permanentemente estratificado, possuindo um epilímnio (camada superficial de um lago estratificado, com características diferentes das camadas subjacentes) mais quente sobre um hipolímnio (camada profunda de um lago onde ocorre estratificação) mais frio. Para uma descrição mais completa sobre os habitats encontrados no lago, verifique este artigo.
O lago Tanganyika
O lago Tanganyika é o segundo maior lago da África. É partilhado pela Tanzânia, República Democrática do Congo, Burundi e Zâmbia. Foi "descoberto" pelos europeus em 1858, quando os exploradores Richard Francis Burton e John Speke buscavam a nascente do rio Nilo. Speke continuou suas pesquisas para o norte e finalmente encontrou uma das nascentes, o lago Victoria.
Localizado no braço ocidental do Vale do Rift, o lago Tanganyika tem uma extensão de 673 km numa direção norte-sul, e é o lago mais longo do mundo sem contar o mar Cáspio. Tem uma largura média de 50km, e uma profundidade máxima de 1470 metros. Sua profundidade média é de 570m, e seu volume é estimado em cerca de 18.900 km3.
Seus afluentes principais são o rio Ruzizi e o rio Malagarasi. Desta forma estima-se que sua bacia hidrográfica cubra cerca de 231.000 km2. O principal efluente é o rio Lukuga, mas apenas quando o nível do lago está muito alto.
Por causa de sua grande profundidade e localização tropical, suas águas não sofrem a virada sazonal dos lagos de regiões frias, e como consequência, suas águas profundas são consideradas "água fóssil" e são anóxicas (não contêm oxigênio).
O lago possui pelo menos 300 espécies de ciclídeos, 98% deles endêmicos, e 150 outros peixes, a maioria vivendo na zona bêntica (próxima ao fundo); no entanto, a maior parte da biomassa de seus peixes vive na zona pelágica (águas abertas).
O lago Victoria
O lago Victoria ou em suahili "Victoria Nyanza" está localizado num planalto elevado na parte ocidental do Vale do Rift, e é administrado territorialmente pela Tanzânia, Uganda e Quênia.
É o maior lago do continente africano, o maior lago tropical do mundo e o segundo maior lago de água doce em termos de área. Sua área é de 68.870km2. Por ser relativamente raso, é tido como o sétimo maior lago de água doce em volume. É uma das nascentes do rio Nilo, o Nilo Branco.
O Victoria tem um papel essencial de suporte a milhões de pessoas que vivem ao seu redor, numa das regiões mais densamente povoadas da Terra. Talvez por causa disso, também é um ecossistema extremamente doente. Durante os anos 50 um peixe chamado perca-do-nilo (Lates nilotucus, um predador voraz) foi introduzido no lago com o objetivo de aumentar os rendimentos da pesca, mas esta espécie acabou devastando o ecossistema local dizimando mais de 200 espécies nativas. Grande parte das espécies de ciclídeos em extinção, já extintas ou consideradas em risco são do lago Victoria.
A química dos lagos em seu aquário
A química da água em aquários de água doce se refere bastante a 2 conceitos básicos: pH e dureza. O pH é relativamente simples de se entender e de se testar, e a dureza requer um pouco mais de entendimento pois significa coisas diferentes em contextos diferentes.
O pH
pH significa "potencial hidrogeniônico". O termo pH foi introduzido em 1909 pelo bioquímico dinamarquês Søren Peter Lauritz Sørensen (1868-1939) com o objetivo de facilitar seus trabalhos no controle de qualidade de cervejas (à época ele trabalhava no Laboratório Carlsberg, da cervejaria homônima). O "p" vem do alemão "potenz", que significa "poder de concentração", e o "H" é para o íon de hidrogênio (H+).
Grosso modo, o pH poderia ser traduzido como "quantidade de íons de hidrogênio presentes numa substância". O pH serve para indicar a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer. Sua escala varia de 0 a 14, sendo que quanto menor o pH de uma substância, mais ácida ela será, e quanto maior o pH, mais alcalina ou básica será a substância. Se o pH de uma substância é igual a 7, ela é dita como sendo neutra. Sua escala é logarítmica, o que significa que cada novo número na escala é 10 vezes maior ou menor que o anterior. Uma solução ácida com um pH igual a 4,0 representa um aumento na acidez da ordem de 10 vezes em relação a uma outra substância com um pH igual a 5,0. A compreensão desta forma de medição é de muita importância em nossos aquários! Um aumento ou queda de apenas 1,0 no pH significa que seu pH está 10 vezes mais alcalino (se aumentar) ou ácido (se cair) do que a medição anterior, e peixes tendem a se sentir bem incomodados com variações tão altas principalmente em curto espaço de tempo.
Dureza da água
Dureza é uma grandeza que mede a quantidade de minerais dissolvidos numa determinada amostra de água. A água chamada de "mole" contém poucos minerais dissolvidos, a água "dura" contém uma maior concentração de minerais.
Tipos de dureza: GH e KH
A dureza geral, GH, unidade de medição ºdH, mede um mineral específico, óxido de cálcio, presente na amostra (embora isto seja correlacionado com uma escala baseada na concentração do carbonato de cálcio, principalmente por aquaristas americanos e ingleses)
A dureza carbonatada ou KH mede a quantidade de sais de carbonato e bicarbonato presentes na amostra.
Dureza Geral - GH: a escala dH
Cada grau na escala de dureza alemã (ºdH) corresponde a precisamente 10mg de óxido de cálcio por litro. Isto é usado como medida de "dureza geral", uma consideração chave quando descrevemos os requerimentos de uma espécie em particular. A tabela a seguir ilustra a conexão entre a dureza geral e a condição da água:
| GH ºdH | mg/L óxido de cálcio | mg/L carbonato de cálcio | Qualidade da água |
| 0-3 | 0-30 | 0-50 | Mole |
| 3-6 | 30-60 | 50-100 | Moderadamente mole |
| 6-12 | 60-120 | 100-200 | Levemente dura |
| 12-18 | 120-180 | 200-300 | Moderadamente dura |
| 18-25 | 180-250 | 300-450 | Dura |
| 25 + | 250 + | 450 + | Muito dura |
A dureza geral parece ser um fator crítico para uma variedade de processos biológicos, notadamente reprodução. Um pouco fora do tema de ciclídeos africanos, mas é válida a observação: num caso por exemplo de desova do acará-disco em água dura, o esperma tem dificuldade em penetrar nos ovos, que ficam mais rígidos, dificultando a fertilização.
Dureza carbonatada: a escala KH
A escala da dureza carbonatada é baseada na concentração de carbonatos e bicarbonatos e reflete a capacidade de tamponamento da água. Água com um alto poder de tamponamento resiste a mudanças no pH para cima ou para baixo, resultando em uma condição de água mais estável. Valores excessivamente baixos de dureza carbonatada não são apreciados por plantas, especialmente aquelas que extraem parte do carbono usado na fotossíntese dos carbonatos e bicarbonatos na água.
| Dureza Carbonatada (ºKH) | Dureza carbonatada em mg/L carbonato de cálcio | Qualidade da água |
| 0-2 | 0-36 | Muito mole; pH tende a ser instável e o crescimento de plantas é pobre |
| 2-5 | 36-89 | Mole; Não adequado para vivíparos e kinguios, bom para barbos, tetras, bandeiras, etc. |
| 5-10 | 89-178 | Moderadamente dura, bom para uma larga variedade de peixes tropicais |
| 10-20 | 178-350 | Muito dura. Ideal para vivíparos, Malawi, Tanganyika e América Central. Tolerado por peixes mais resistentes. |
| 20 + | 350 + | Extremamente dura; muito dura para a maioria dos peixes tropicais. |
Por outro lado, muitas plantas bem como alguns peixes não vão tolerar níveis muito altos de dureza carbonatada também. A dureza carbonatada é, junto com o pH, um dos dois fatores requeridos para determinar a quantidade de dióxido de carbono (CO2) requerido para um aquário bem plantado.
Capacidade de Tamponamento
A tendência de muitos aquários é a de que a água deles se torne mais ácida com o tempo. Num aquário com uma dureza carbonatada alta, esta mudança no pH é inibida por causa da capacidade de tamponamento da água.
Os chamados "crashes" do pH ocorrem geralmente só nos aquários com baixos níveis de dureza carbonatada, onde não há nada que faça o "travamento" do valor do pH e que evite sua variação brusca. O uso de sais específicos para controlar estes parâmetros de dureza são fundamentais principalmente num aquário de ciclídeos africanos, não só para fazer a regulagem das concentrações dos sais como também para efetuar o tamponamento, além da reposição de outros sais encontrados na água dos lagos. Existem sais específicos para cada lago, pelos fatores descritos no parágrafo a seguir.
Os lagos do Vale do Rift têm uma água com características especiais, suas águas são extremamente duras (tanto em dureza geral quanto em dureza carbonatada) e seu pH é elevado, esta é a condição básica a se observar em relação à qualidade da água de um aquário de ciclídeos africanos: dureza(s) alta(s) e pH alto. No entanto, os lagos também têm características diferentes entre si em relação à água. O pH no lago Tanganyika é ligeiramente mais alto que no lago Malawi, e a concentração de sais nele contém principalmente mais sais de magnésio, sódio e potássio, incluindo carbonatos, cloretos e sulfatos, e no lago Malawi a água é mais rica em carbonato de cálcio, com menores quantidades de outros sais. O pH também não é sempre o mesmo em todos os locais: há variações, e conforme a localização de origem da espécie que você pretende manter, pode haver diferenças, mesmo dentro do mesmo lago.
Criando a "água dura" e com pH alto
Como obter esta água dura e com alto pH, fundamental em um aquário de ciclídeos africanos? Existem alguns meios de se fazer isso e são bem simples.
O modo menos trabalhoso, mas não o mais econômico, seria o uso dos sais comerciais. Existem várias marcas no mercado, e inclusive marcas separadas para cada lago. Estes sais "consertam" os valores das duas durezas e do pH, e basta seguir as instruções. É recomendado que você faça um teste prévio antes de usar o produto diretamente no aquário, para saber a quantidade necessária a ser usada - cada aquarista pode ter uma determinada necessidade, de acordo com a região em que vive e a qualidade da água que é fornecida pela sua distribuidora. Faça o teste antes em sua água, aplique o sal de acordo com as instruções e faça nova medição, para verificar a mudança efetiva naquela determinada quantidade de água, e faça a proporção de acordo com a quantidade de água a ser corrigida.
Um esclarecimento: existem os sais chamados "buffers" e outros sais que seriam apenas de "reposição". Os "buffers" são os chamados "tamponadores", que servem para manter o pH equilibrado num determinado valor, mas os sais de reposição não necessariamente podem ter esta função, podendo conter apenas outros sais que não interferem no pH e dureza mas que estão presentes na água, e seria necessário usar os dois tipos em alguns casos. Alguns sais vendidos no mercado como "buffers" também não fazem o trabalho de colocar o pH numa determinada faixa, mas apenas evitam que ele varie - que é realmente o trabalho de um tamponador. Em determinadas situações, é preciso usar primeiro um método para se obter o pH adequado (para cima ou para baixo), e depois usar o tamponador para evitar a variação, nessa ordem.
O uso de algumas substâncias pode também ajudar neste controle. O KH é diretamente ligado ao pH - tendo um KH alto, você terá também um pH alto (sem entrar aqui nos detalhes e fórmulas químicas). O que vem a ser o KH? É a dureza carbonatada, a quantidade de íons de carbonatos presentes afeta diretamente este valor. Então, uma boa dica é o uso do bicarbonato de sódio ou de potássio, através dele serão introduzidos os carbonatos necessários, e seu KH tenderá a subir, levando junto o pH, ou ainda usar o carbonato de cálcio, embora este tenha um pouco mais de dificuldade em sua dissolução.
Além disso, o uso de rochas calcáreas junto com um substrato de origem também calcárea também ajuda a controlar estes valores. Normalmente para isso se usa rochas tipo calcita e dolomita, que são minerais basicamente compostos de carbonato de cálcio, diferindo apenas em sua estrutura cristalina.
Embora sejam uma solução alternativa para a subida do pH, não use nunca corais mortos no seu aquário de africanos. Além de ser esteticamente feio e incompatível com o biotopo, esses corais podem ainda trazer parasitas. Conchas moídas também não devem ser usadas.
Reafirmamos também sempre que pudermos: NÃO use sal comum ou sal marinho para fazer estas correções. O sal comum (NaCl, cloreto de sódio), NÃO tem qualquer efeito sobre as durezas ou pH.
Decoração e substrato de um aquário de ciclídeos africanos
Os ciclídeos africanos têm também vários hábitos comportamentais e alimentares que requerem algumas técnicas ao se montar um aquário, em termos de substratos adequados e decoração.
Resumidamente, o substrato ideal para os ciclídeos africanos seria a areia, por diversos fatores. Substratos tipo cascalho de rio não são adequados, bem como substratos feitos com conchas moídas. Neste outro texto você pode ter mais detalhes sobre os substratos ideais e os não adequados para um aquário de ciclídeos africanos.
A decoração varia um pouco conforme as espécies mantidas, mas uma regra importante deve ser observada: tocas. Monte locais onde os peixes possam constituir tocas, que servem desde um local para o acasalamento até um local de refúgio em caso de brigas. Rochas agrupadas servem para este fim. Algumas espécies vivem próximas a paredões rochosos, portanto monte as tocas numa forma onde isso possa ser imitado, quando for o caso. Tenha uma especial atenção à segurança dessas montagens. Tenha certeza de que em seu paredão de rochas, suas rochas empilhadas, ou seja qual for o método escolhido, as rochas estejam firmes. Os ciclídeos africanos têm hábitos de escavar o substrato, e caso resolvam escavar próximo às rochas que sustentam por exemplo um paredão rochoso, essas rochas podem perder a sustentação, vindo tudo a desabar, e podendo até mesmo matar algum peixe ou danificar o vidro do aquário.
Os ciclídeos africanos são divididos em 2 categorias básicas: mbunas e não-mbunas (utakas e haps). Os mbunas são de áreas rochosas, enquanto os não-mbunas são de áreas mais abertas. No caso dos mbunas, é importante ter rochas na decoração, no caso dos haps é mais interessante ter aquários com um tamanho maior, com uma maior área para circulação dos peixes, mas também é necessário haver regiões onde eles possam delimitar como territórios.
Deve-se observar também que nestas rochas e tocas podem se acumular muitos detritos, que com o tempo podem ocasionar uma subida na amônia (que por sua vez é muito mais tóxica em níveis de pH mais alto como nos aquários de ciclídeos africanos) por isto recomenda-se uma boa circulação no aquário de ciclídeos africanos. Alguns aquaristas optam pelo sistema de UGJs (Under Gravel Jets) para ajudar na circulação.
Existe também uma outra categoria de ciclídeos africanos que precisa de um outro tipo de adicional em sua decoração: os shell-dwellers. Estes peixes vivem em conchas, portanto... use conchas na decoração!
O "falso marinho"
Não use corais mortos. Deixe corais mortos para os aquários marinhos. Não faça de seu aquário um "cemitério". Esteticamente eles não são parte do biotopo dos ciclídeos africanos (existem corais no lago? Não!), e com o tempo, aquela cor branquinha acaba por se tornar uma peça toda marrom, difícil de limpar, e o acúmulo de detritos nas reentrâncias dos corais é grande.
Há algum tempo já existe essa concepção infeliz de se criar um aquário chamado de "falso marinho" com os ciclídeos africanos, que por serem tão coloridos quanto os peixes marinhos e de custo consideravelmente mais baixo, favorecem uma montagem com peixes de cores atraentes a baixo custo. Só que os CA's não são peixes marinhos - monte o biotopo do aquário de acordo com o que eles precisam, não com o que você gostaria de ver. Se não pode ter um aquário marinho, não tente fazer do seu aquário de ciclídeos africanos um deles, resista a mais essa tentação.
Filtragem, circulação e temperatura
Filtragem
A filtragem num aquário de ciclídeos africanos deve ser dimensionada num valor geralmente mais alto que o normal. Normalmente em aquários comunitários se usa uma vazão em litros por hora próxima a 5 vezes do volume total do aquário (ex.: num aquário de 100L, o filtro ou a soma de todos os filtros teria de ter uma vazão de 500L/h) ou ainda até menos que isso conforme a população do aquário, mas num aquário de ciclídeos africanos, é ideal que se tenha um valor acima disso. Uma melhor filtragem proporciona uma água mais saudável, livre de compostos nitrogenados e com uma filtragem biológica mais eficiente. A regra normalmente fala em 10x o valor do volume do aquário, mas isto pode também ser ajustado de acordo com a população existente. Mas filtragem num aquário de ciclídeos africanos nunca é demais, pecar por excesso não vai lhe trazer mal algum.
Não há nenhuma recomendação especial em termos de tipos de filtros a serem usados. Um filtro que faça os três tipos básicos de filtragem (mecânica, química e biológica) é suficiente.
Circulação
Como foi dito na parte sobre a decoração, uma boa circulação é fundamental no aquário de ciclídeos africanos. Não é necessariamente porque os peixes gostam de correnteza forte ou algo parecido, mas sim porque uma circulação eficiente evita acúmulos de sujeira perto de tocas e rochas. Uma boa circulação não significa necessariamente correnteza forte. O importante é manter o fluxo correto, evitando esses acúmulos de matéria orgânica.
Temperatura
A temperatura ideal deve ser mantida na faixa de 24-27°C. Temperaturas mais altas aceleram o metabolismo, e devem ser usadas apenas em casos onde os peixes necessitam um certo "up" no apetite, como após uma doença ou para acelerar o crescimento de alevinos. Temperaturas mais altas fazem com que o oxigênio dissolvido na água seja menor, portanto águas mais quentes podem precisar de um adicional na aeração e circulação (que também ajuda nas trocas de gases e oxigenação). Um bom termostato dá conta do recado.
Plantas e Iluminação
Plantas em um aquário de ciclídeos africanos é sempre um tema complicado. Como foi discutido mais a fundo neste artigo, por causa de seus hábitos alimentares e comportamentais manter plantas num aquário de ciclídeos africanos é bastante difícil, embora não totalmente impossível.
Por não haver plantas como num aquário plantado ou mesmo num aquário comunitário que seria um dos motivos de se ter uma iluminação diferenciada no aquário, a iluminação num aquário de ciclídeos africanos é basicamente apenas um fator estético. Não é necessário qualquer tipo de iluminação especial (nem cara!) para o seu aquário de ciclídeos africanos. Qualquer tipo de iluminação que lhe agrade pode ser usada. Evidentemente que luzes fortes em demasia não são muito apreciadas por algumas espécies, portanto não é preciso ter um aquário super iluminado.
Outras considerações
Além de tudo o que foi dito, também deve-se utilizar as dicas básicas de sempre para montagens de aquários de uma forma geral: o aquário deve ficar num local estável, o móvel deve ser construído de forma a suportar todo o peso do aquário (que com as rochas pode aumentar bastante!), deve-se manter uma rotina de limpeza dos filtros e trocas parciais de água, usar sempre água de boa procedência nas trocas e livre de cloro e metais pesados, o vidro deve ser feito para suportar a litragem desejada, o aquário deve ser sempre montado por um profissional que conheça a técnica de colagem de vidros para aquários, etc..
Quanto ao tamanho dos aquários, estes, como sempre é recomendado, devem ter o maior tamanho que você possa ter. Um aquário maior é menos propenso a desastres causados por variações bruscas de parâmetros e de compostos nitrogenados, por exemplo. No caso de ciclídeos africanos ainda existe o fator da agressividade: peixes de temperamento tão agressivo como os "mbunas" quando mantidos num pequeno espaço com certeza se tornarão ainda mais agressivos. Os "haps" são peixes de áreas mais abertas, com amplas áreas para o nado em seu habitat natural, além de ficarem com um tamanho considerável quando adultos, portanto um aquário para os haps deve ter uma boa área de frente (ser comprido), isto é tão importante quanto o volume do mesmo. Aquários abaixo de 100L não são recomendados para ciclídeos africanos.
Também se fala com uma certa frequência sobre o uso da superpopulação para evitar problemas de agressividade dos ciclídeos africanos, mas lembre-se de que se for tentar usar esta técnica, é preciso um grande planejamento. Mais peixes significa mais dejetos, maior necessidade de filtragem, mais tocas... tudo isto deve ser levado em consideração caso se opte pela técnica da superpopulação.
Sobre a escolha de espécies, veja este artigo, sobre as cores das espécies de mbunas.
© Ciclídeos Online, 2009
Referências
MONKS, Neale. A practical approach to freshwater aquarium water chemistry. Site Wet Web Media, In http://www.wetwebmedia.com/FWsubwebindex/fwh2oquality.htm
EMERICH, Cinthia. Neolamprologus multifasciatus. Site Sekai Scaping, in http://sekaiscaping.blogspot.com/2009/05/neolamprologus-multifasciatus.html
Wikipedia & Google Maps





