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Anatomia externa dos peixes ósseos

Muitas vezes ao lermos um artigo sobre peixes nos deparamos com alguns termos que para os leigos ainda deixam algumas dúvidas. No parágrafo acima já podemos encontrar um destes termos que, para alguns, pode acarretar alguma dúvida: peixes ósseos, o que seria isto?

Os peixes são, de forma bem ampla, classificados em Osteichthyes e Chondrichthyes. De acordo com a classificação científica tradicional, a classe Osteichthyes (do grego osteos = osso, e ichthyos = peixe) agrupava os peixes ósseos, em contraposição com Chondrichthyes, os peixes cartilagíneos.

No entanto, de acordo com as descobertas mais recentes sobre a filogenia dos animais, o clado Osteichthyes agrupa todos os animais com tecido ósseo endocôndrico e com dentes implantados nas maxilas.

Este clado inclui os táxons:

* Sarcopterygii - os peixes de barbatanas lobadas, como o celacanto e os peixes pulmonados e os tetrápodes, ou seja, os vertebrados terrestres;

* Actinopterygii - os restantes grupos de peixes, também conhecidos como teleósteos.

Nem todos os peixes apresentam a mesma forma, o formato básico e comum que mais conhecemos. O formato do corpo, a forma e posicionamento da boca, coloraçãoo, desenvolvimento das nadadeiras, etc. de cada espécie nos fornece informações importantes quanto ao modo de vida, hábitos alimentares, entre outras particularidades de cada espécie. Por exemplo:

  • Corpo estreito, achatado lateralmente e comprido nos indica que são peixes de ambientes lênticos, que dependem da velocidade para caçar ou se defender de predadores.
  • Peixes de corpo largo, achatado dorso-ventralmente nos indica que são peixes que habitam regiões próximas ao fundo do rio, lago, etc.
  • Boca superior, voltada para cima, nos indica que são peixes que se alimentam próximo à superfície.
  • Boca inferior, voltada para baixo, nos indica que são peixes cujo alimento se encontra abaixo dele, seja revirando o substrato, raspando algas em pedras, etc.
  • Boca frontal, nos indica que são peixes predadores.

Ambiente lótico = com correnteza, água em movimento constante.
Ambiente lêntico = sem correnteza ou pouco movimento.


Esquema geral da anatomia externa de um peixe.

OBS: pelo fato de alguns exemplares utilizados para descrição da espécie poderem apresentar nadadeira caudal definhada, mordiscada, etc., adotou-se o tamanho standard, começando no focinho e indo até o final do pedúnculo caudal, não levando em consideração a nadadeira caudal.

As escamas:

Muitas pessoas erroneamente consideram as escamas como sendo a pele dos peixes. Na realidade as escamas estão dispostas sobre a pele verdadeira. Elas constituem uma proteção a mais para os peixes e auxiliam numa melhor hidrodinâmica, permitindo que o peixe "deslize" melhor pela água. Existem 4 formas de escamas: as ctenóides, ciclódes, ganóides e placóides. Existem ainda peixes onde as escamas foram substituídas por placa ósseas (calictídeos) e outros que não possuem escamas (pimelodídeos).

  • Ctenóides : Típica dos peixes ósseos, são finas e crescem por toda vida, possuem pequenas projeções formando uma coroa de minúsculos espinhos, que conferem aos peixes uma aparência áspera.
  • Ciclóides : típica de peixes ósseos, crescem por toda vida do peixe, são lisas, não possuindo projeções.
  • Ganóides : Não ocorrem em peixes brasileiros, são rômbicas, esmaltadas e brilhantes.
  • Placóides : Encontradas em tubarões e arraias, possuem pequenos dentículos dérmicos voltados para trás, o que deixa sua pele áspera, com aparência de uma lixa.
  • Linha Lateral

    Geralmente constituida de uma linha ao longo do corpo em ambos os lados. Nos ciclídeos esta linha e dividida em duas. Está situada por sob as escamas, possuindo um canal de comunicação com o meio externo e internamente ligada ao sistema nervoso. Possuem diversas funções, sempre relacionadas aos sentidos, tais como: detectar os movimentos e vibrações na água, auxiliando na locomoção em ambientes de pouca visibilidade e com obstáculos, permite aos peixes que nadam em cardumes efetuarem as mudanças de direção sincronicamente, detectar movimentos na água, seja de predadores ou presas, etc..


    Esquema mostrando detalhes da parte externa da linha lateral

    As nadadeiras

    De uma forma geral, as nadadeiras possuem a função de impulsionar o peixe e manter a estabilidade do mesmo, quando em movimento ou repouso. Alguns peixes desenvolveram outras funções, tais como utiliza-las durante a reprodução para "abanar" os ovos ou seduzir as fêmeas, outros sofreram uma adptação mais profunda e utilizam suas nadadeiras para a cópula (poecilídeos).

    Tipos de nadadeiras:

    • Nadadeira caudal - transmite a força que impulsiona o peixe através da água. Peixes de ambientes lóticos possuem está nadadeira com uma bifurcação bastante pronunciada. Os de ambientes lênticos possuem nadadeiras truncadas, sem bifurcação ou pouco pronunciada e muitos possuem projeções (véu, lira, etc).
    • Nadadeira dorsal - possuem principalmente função de estabilidade, funcinando como a vela do barco, é constituída normalmente por raios duros e moles. Algumas espécies podem apresentar duas nadadeiras dorsais (percas), podem ser pouco visíveis ou ausentes (gimnotídeos).
      * Raios duros - semelhantes à agulhas, não possuem bifurcações.
      * Raios moles - possuem várias bifurcações.
    • Nadadeira anal - é a nadadeira encontrada entre o poro urogenital dos peixes e a caudal. Geralmente utilizada como estabilizador, nos machos dos poecilídeos desenvolveu-se como órgão copulador, alguns ciclídeos possuem pequenos ocelos que estão ligados ao comportamente reprodutivo.
    • Nadadeiras pélvicas - encontram-se na região ventral à frente da nadadeira anal. Possuem função estabilizadora e orientadora dos movimentos, e em algumas espécies também são utilizadas na reprodução (coridoras).
    • Nadadeiras peitorais - estão posicionadas lateralmente abaixo dos opérculos. São utilizadas principalmente para orientação dos movimentos. Possuem outras funções e adaptações para diversos fins, entre eles "andar" na terra (Calictídeos), aeração dos ovos (ciclídeos), etc.
    • Nadadeira adiposa - pequena nadadeira encontrada dorsalmente e próxima ao pedunculo caudal. É encontrada nos Caracídeos.
    Esquema dos tipos de nadadeiras Exemplo de peixes com nadadeira dorsal dupla


    Esquema mostrando os 2 tipos de raios das nadadeiras.

    Narinas

    Situadas no "focinho", à frente e próximas aos olhos. Suas bolsas olfativas possuem função sensitiva para substâncias dissolvidas na água.

    Olhos

    Na maioria dos peixes os olhos estão situados lateralmente à cabeça, mas em algumas espécies o posicionamento pode variar. Nos peixes de hábitos alimentares próximo a superfície, os olhos podem estar posicionados mais para o alto da cabeça, o mesmo ocorrendo com alguns peixes que vivem próximo ao fundo. Os peixes não possuem pálpebras.

               

    Opérculo

    Placa situada após os olhos. Sua função é proteger a câmara branquial. Ela é facilmente identificada devido seu movimento de abrir e fechar durante a respiração. Alguns peixes desenvolveram projeções em forma de espinhos, sendo utilizados como defesa.


    Esquema mostrando a localização das narinas, olho e opérculo.

    © Ciclídeos Online, 2009

    Referências

    Anatomia externa dos peixes ósseos. Site killihouse.com, in http://www.killihouse.com/brasil/anat_ext.html

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